segunda-feira, janeiro 26, 2009

Sentidos em Bicas


Demorou, mas fiquei fã do Orkut. É quase um milagre encontrar pessoas que não vemos há tanto tempo. Fui pesquisar por Bicas, é claro, e achei montes e montes de comunidades, umas sérias, algumas nem por isso e outras assim, assim...
Como já há muito tempo não dou o "ar da minha graça" por aqui, resolvi tirar o pó de mais algumas memórias em Bicas. Não me levem a mal aqueles que acham que Bicas não presta, como li em algumas comunidades jovens do Orkut, mas nos anos dourados, ou prateados, sei lá, a minha percepção era outra.
Apesar dos tempos difíceis parece que a vida era um bocadinho mais cor-de-rosa, sem a globalização e a consciência de todas as guerras que graçam por este mundo afora. Não via os males políticos mas o “bem viver”. Penso que, talvez por isso, os meus sentidos não esqueceram.
Ainda era um bocadito como aquela música do Ataulfo Alves, "eu igual a toda meninada, quanta travessura eu fazia... eu era feliz e não sabia". Os garotos ainda jogavam bolinha de gude nas calçadas, os circos ainda acampavam no Bairro Santana, a Júlia ainda cantava na Igreja. Eu era pequena mas ainda me lembro da Júlia cantando durante a Missa. Aliás a minha memória musical passa também pelas aulas de piano e flauta da D. Sofia e da sua mãe, acho que era a D. Mafalda a cantar Carlos Gomes e claro, o "Seu" Vicente Rossi. Aliás, falar de música em Bicas sem falar do Seu Vicente Rossi devia ser considerado quase um "pecado", já que ele marcou várias gerações. Era um verdadeiro apaixonado pela música e conseguia que muitos apreciassem a sua paixão. Até hoje e graças ao Seu Vicente Rossi, conheço alguma da clássica música brasileira que poucos conhecem.
Um pouco mais tarde, entrando na adolescência, os sons eram outros. Apesar dos Genesis, Elis, Pink Floyd e Chico, não me esqueço do Carlos da Casson. Não das notas de falecimento, prrrrá tum
tchiiii, mas dos bailaricos e serestas onde eu dançava a não mais poder, da panela velha é que faz
comida boa e claro do pinga ni mim. E ainda na parte dos sons, apesar de haver umas cervejas à mistura, como não me lembrar das deliciosas cantorias nas Exposições, na barraca do Edir e no Chora Morena?
Mas as minhas lembranças também ouvem o bem-te-vi anunciando a chuva, o sabiá cantando, o meu melro anunciando a chegada de mais um dia, a buzina do leiteiro, a sirene da Leopoldina e o apito da Maria Fumaça.
Mas havia muito mais. Os cheiros, por exemplo. Como é que poderia me esquecer dos cheiros? No verão quando o dia terminava, um perfume a "Dama da Noite" invadia o Bairro Santana. Quando chovia, a terra molhada exalava um odor tão caracteristico e agradável que raramente senti em outra parte desse mundão que tenho visitado.
Mas já que entrei na onda dos sentidos, já falei da audição, do olfacto. Vamos ao sabor. Por que não lembrar-me dos aniversários e os docinhos da Tia Nirlene, a goiabada da Tia Maria José ou as balas de côco da Geralda doceira? Ou das "caçarolas" da Padaria do Chiquim? Café com pão fresquinho, quentinho, com manteiga Girafa. E comer jabuticaba no pé? Ou das coxinhas de galinha e o sorvete de ameixa do Pedro Machado? Nossa, claro, o Grapette. Tá bem, não era feito em Bicas, mas o sabor do Grapette faz também parte da minha memória gustativa.
Agora, a visão: Não sei como está actualmente mas o "mar de morro" era o que eu via quando abria a janela pela manhã. Adorava os arredores de Bicas, o Jardim e a Igreja, a gruta, a beleza dos fins de tarde e o colorido das roseiras em flor.
Falta o tacto? Ok, esse é um dos mais importantes, o carinho, o toque, a emoção de "pegar na mão" das primeiras paqueras, e claro, a lembrança dos abraços dos parentes queridos. Esses são cada vez mais raros.
E à medida que o tempo ia passando, e que eu ia perdendo gradualmente a inocência de criança, que mudavam os meus sonhos e desejos e que a adolescência se impunha, tudo parecia sempre muito natural. Os dias eram longos, havia tempo para conversar em família, visitar amigos e colegas, passear pela cidade, à toa, sem ter que ir a lugar algum, apenas andar pela cidade, à pé ou de bicicleta, ou mesmo sentar à frente da casa, sem ver nada em particular, mas apreendendo cada detalhe da rua, da escola, das pessoas, enfim, de Bicas.
Hoje os sentidos continuam activos, claro, uns menos que outros, mas como costumo dizer, é do caruncho. Mesmo assim, muitas vezes, uma brisa traz um cheirinho qualquer que me lembra Bicas ou mesmo uma frase ou história, contada aqui em terras lusas, faz-me lembrar e dizer muito rápido: em Bicas também era assim...
Lúcia

quarta-feira, julho 23, 2008

Bicas City


Retto Júnior
Há muito que tenho prometido historias de Bicas City, mas os horários, as actividades de verão, a saúde, enfim, a vida não têm me deixado tempo, ou melhor até tem, só que há sempre tanta coisa prá fazer, que passa até que ontem, recebi um e-mail simpático de uma professora em Guarará, a Mariana, que disse estar “viajando” com os textos do blog e falou do Antonio Carlos e da Lia, que parece estar aposentada e curtindo a outrora calma e hidratada Guarará.
É engraçado como as lembranças também ajudam a ultrapassar uma das duas únicas certezas desta vida: a temerada morte. A outra certeza na vida é pagar impostos mas isso não vem ao caso agora. O ano de 2007 foi daqueles que marcaram e que empobreceram a minha família. De caras, perdi a minha querida madrinha, Wilma Pires, a dindinha Wilma, depois foi a tia Maria José e no final do ano, o choque: Tio Rogerinho. Como estou longe, finjo que ele ainda não foi para o outro lado e assim a tristeza não bate muito forte.
Já há algum tempo que não vou ao Brasil mas tenho quase a certeza que Guarará e Bicas já são uma só. Lembro-me quando a Rua da Caixa e a Rua do Bonde terminavam no Posto de Gasolina. Depois era só terra batida até Guarará, claro passando um pedaço pela estrada, e que não deixava de ser uma aventura ir até lá de bicicleta. O melhor ainda era ir até ao final da Rua da Caixa, ou do Bonde (agora confundo as duas), subir aquela rampa da estrada e descer, sem pedalar, com o vento batendo no rosto, em alta velocidade (que perigo!), até a entrada para Guarará e claro, não voltar sem beber aquela água deliciosa. O pior era ter de voltar empurrando a bicicleta, mas sempre valia a pena.
Se a vó sonhasse as peripécias que fazíamos... Eu hoje acredito que o meu Anjo da Guarda deve ter tido uma grande trabalheira para me proteger.
Isso era uma das coisas perigosas que nós fazíamos, como por exemplo fazer rail descendo o morro do hospital até ao bairro Retto Junior. É que entre a estrada de terra que havia ali e a escola, o terreno era baldio, cheio de altos e baixos, mas os sustos eram superados pela adrenalina. Ah, e sem esquecer o cachorro preto de uma senhora que morava ali na curva em direcção à lagoa, em frente à casa do Jairo (ou será que era do Josmar?) e costurava prá fora. Aquele cachorro foi o nosso inferno infantil. Era enorme e assim que nos via até punha-se como os tigres, de cabeça baixa, pronto prá atacar. Às vezes a vó pedia prá ir buscar qualquer coisa na casa da Galba e aquilo era uma verdadeira tortura.
E por falar em lagoa, os malditos gansos que eram pior que qualquer cão de guarda.
Voltando ainda mais no tempo, entre a nossa casa e a do Jairo havia um terreno baldio, sei lá eu deveria ter os meus 7 anos, e lá estava instalado um homem que estava sempre a ouvir rádio, num barraco de madeira e zinco, que nos sorria um sorriso sem dentes mas não nos causava pavor. Não me lembro do seu nome, nem do que lhe aconteceu. Quando saímos daquela casa e voltamos para o bairro Santana ele já não estava lá.
Mas neste terreno aconteceu uma cena bizarra. A minha irmã Monica deveria ter três ou quatro aninhos quando brincava à porta de casa, ao lado da escola, quando um touro desgarrado de uma boiada à caminho do matadouro, atacou-a. Naquela época tínhamos uma empregada, penso que era a Mirtes, que se jogou por cima da Monica. A vó sempre acreditou que naquele momento assistiu a um milagre, quando gritou por Nossa Senhora Aparecida, o touro que já havia pisoteado as duas, olhou prá vó Nair e voltou para a manada. Uma história contada muitas e muitas vezes. A minha irmã saiu ilesa e a Mirtes ficou com ferimentos ligeiros, mas acabou por ser uma heroína.
Caramba, que hoje fui “cavucar” mesmo lá no fundo do baú.
A casa do Retto Júnior era grande mas o quintal era ainda maior e era um paraíso para a nossa fértil imaginação.
Tempinho bão, sô...

sábado, dezembro 22, 2007

Tio Rogerinho, a distância é relativa




Eu hoje estou triste, muito triste.
Ainda não estou muito convencida, parece que vou pegar o telefone e vou falar com ele a qualquer momento e dizer Oi, Guarará. No último domingo, quando ele atendeu, disse rapidamente, "Guarará agora ‘tá’ muito diferente e bonito, tem até ônibus".
Teve a me contar sobre o neto e a neta, da festa de aniversário e outras coisas que me fizeram acreditar que ele estava bem, mas no fundo parece que o sofrimento já era muito.
Gosto de acreditar que o tio Rogerinho fez a passagem para uma outra dimensão e foi recebido com uma grande festa pela minha mãe, a vó Nair e o Vô Rogério, pela D. Carmélia, a tia Maria José e a Dindinha Wilma. Gosto de acreditar que ele está muito bem agora e que cumpriu a sua missão nesta terra.
Ainda não consegui parar a torrente de lágrimas que desde ontem teimam em deslizar pelo meu rosto abaixo. Em muitas situações é mesmo muito mal estar longe da família e nessas, torna-se uma verdadeira tortura. A sensação de vazio, de ter perdido muita coisa no tempo e na distância.
Acho que prefiro me lembrar do tio Rogerinho a andar de bicicleta ou na Exposição Agropecuaria, ou rindo nas várias festas de Natal que passamos em família. Gosto também de lembrar que foi ele quem me ensinou a andar de bicicleta, foi ele quem me levou pela primeira vez a um baile, foi ele quem esteve sempre presente em todas as dificuldades e socorreu praticamente todos os momentos de aflição da família.
Acho que foi a pessoa mais honesta e correcta que eu conheci. Claro que ninguém é perfeito. Também tinha os seus defeitos, mas eram tão ínfimos que quase nunca vinham à tona.
Foi um filho fantástico, um pai tolerante e um bom marido, e um tio que muitas vezes assumiu o papel de pai para mim, e acredito também, que para a Mónica.
Tio Rogerinho, eu estou longe, mas a distancia é um lugar que não existe. Onde quer que você esteja, espero que esteja em paz, rodeado de luz divina.
Muito obrigada por tudo
Lúcia Cristina

quarta-feira, março 14, 2007

"Não fumes mais... "




Segundo a OMS, um terço da população mundial adulta fuma. Falamos de 1 bilião e 200 milhões de pessoas, dos quais 200 milhões são mulheres. Estatísticas e mais estatísticas... terão alguma influência nas nossas decisões ou precisamos de razões mais fortes, próximas e palpáveis?
Recuperar o paladar e o olfacto. Ter o hálito mais agradável e a pele mais bonita. Experimentar maior tolerância ao esforço. Sentir bem-estar e liberdade. Poder viver mais e melhor. Excelentes motivos para deixar de fumar, que devem sobrepor-se ao receio de engordar.

O medo de engordar



Porque aumentamos de peso quando deixamos de fumar? Não faltam razões:
Redescobrimos o prazer de saborear e cheirar os alimentos;
Comemos mais docinhos, para compensar...;
Já não sofremos o efeito anorexígeno da nicotina (em cada cigarro fumado há um aumento discreto e momentâneo da glicemia, o que "corta" o apetite. Deste modo, muitas refeições são anuladas sem esforço");

A nicotina já não actua sobre a dopamina e a serotonina, que inibem a ingestão de alimentos;
A taxa de leptina, uma proteína implicada na regulação do peso, altera-se;

Por último, e mais importante, houve uma modificação no metabolismo energético.
Já não queimamos tantas calorias só por fumar (200 a 300 por dia).
O ganho de peso situa-se entre 2 e 5,5 Kg.
Aceite-o e relativize-o.
Até porque a tendência é estabilizar e atingir o peso natural algum tempo depois. Para a sua saúde é muito pior fumar do que ter uns quilinhos a mais provisoriamente.
In: "Saúde Pública", n.º 26 de 19 de Março de 2005

segunda-feira, março 12, 2007

Ex-fumadora



Bom, já lá foram 40 dias e creio que posso dizer: Sou uma ex-fumadora. No início foi super difícil, mas depois que fiz a hipnoterapia, quase “esqueci” que fumava. É claro, não vou dizer que não penso no cigarro. Penso, sim. Mas, tenho me sentido tão bem, que essa sensação sobrepõe a vontade.
Em casa, todos fumam, no trabalho, quase todos fumam. E ainda há aqueles que não sabem o que é respeitar os outros e insistem em dizer que estão certos e que vão continuar a fumar na sua sala. Você continua a ser fumador, só que passivo. No próximo ano, quando entrar em vigor a lei antitabagista …
E aquela sensação de liberdade é incrível. Vejo os outros aflitos porque só têm um cigarro e têm de sair à rua para comprar tabaco, ou mesmo quem está sem dinheiro para comprar o seu cigarrinho. Na semana passada, vieram me perguntar "Tens tabaco?" E eu respondi: "Eu não fumo!" . E aí é que me dei conta de que EU NÃO FUMO.... UAU....... DEIXEI DE SER ESCRAVA DE UM VÍCIO .... EU SOU EX-FUMADORA...

É difícil, é preciso muita força de vontade, e vou dizer, ou melhor, escrever uma coisa: quando a gente consegue ultrapassar esse vício, achamo-nos capazes de enfrentar e ultrapassar qualquer obstáculo, do género, eu posso, eu quero, eu consigo. Fantástico !
Aqui vão algumas dicas, tiradas do site da Sociedade Portuguesa de Pneumologia www.sppneumologia.pt
Porque deve deixar de fumar

O tabaco

- Causa doenças como cancro, doenças pulmonares e doenças cardíacas ao fumador activo e ao passivo
- É a causa mais importante de morte e doença que se pode evitar
- O fumo do tabaco tem mais de 4 000 substâncias químicas, grande parte delas tóxicas
- A nicotina é a substância que o torna dependente e encontra-se nos cigarros, cigarrilhas e charutos
• De entre as substâncias tóxicas destacam-se o monóxido de carbono, o alcatrão e irritantes

O que ganha em deixar de fumar

- Vive mais tempo e com melhor qualidade de vida
- Reduz o risco de cancro, doença pulmonar crónica e cardíaca
- Deixa de ter tosse e respira mais facilmente
- O hálito fica mais fresco
- Desaparecem as manchas dos dedos e dos dentes
- Melhora o aspecto da pele
- Melhora o paladar e olfacto
• Não gasta dinheiro inutilmente
• Será um “bom exemplo” para os outros, principalmente para as crianças

A família e os amigos

- Passam a respirar ar mais puro
- As crianças à sua volta têm menos problemas respiratórios

O hábito e a dependência

- A maioria das pessoas que fuma 10 ou mais cigarros por dia está dependente da nicotina
- O fumador habitual fuma muitas vezes sem dar por isso
- Se alterar os seus hábitos é mais fácil evitar de fumar
• A nicotina pode ter um efeito estimulante e aumentar a capacidade de concentração
- Por outro lado pode actuar como um tranquilizante ao reduzir sensações desagradáveis como a ansiedade, agressividade, sensação de solidão ou o stresse
- Quando parar de fumar precisa de combater durante um curto período de tempo a falta
desses efeitos do tabaco
- Alguns fumadores quando deixam de fumar sofrem sintomas de privação como: desejo
compulsivo de fumar, irritabilidade, ansiedade, aumento de apetite, dores de cabeça, insónias, etc. Estes sintomas tendem a desaparecer ao fim de algumas semanas e podem ser reduzidos com medicamentos

Pare de fumar

- A melhor forma de deixar de fumar é parar completamente de um dia para o outro
- Pode pensar que reduzir chega, mas em breve vai fumar tanto ou mais do que anteriormente
• Vai sempre encontrar uma razão para fumar, portanto: é tudo ou nada

Força de vontade

- Não consegue deixar de fumar se não o quiser verdadeiramente
- Ninguem o pode forçar ou ajudar se não estiver decidido
- Deixar de fumar é mais fácil do que pensa

O que deve fazer para deixar de fumar

1. escolha bem o dia em que vai deixar de fumar que pode ser um dia especial como o aniversário, férias, gravidez ou simplesmente o início do fim de semana...
2. avise a família, amigos e colegas de trabalho das suas intenções e peça-lhes ajuda
3. mastigue uma pastilha elástica ou rebuçado sem açúcar para ter a boca ocupada
4. manipule uma chave, um elástico, uma moeda, para manter as mãos ocupadas
5. retire de casa ou do carro o tabaco, cinzeiros, isqueiros ou fósforos, ou pelo menos coloque-os num local de difícil acesso
6. coma muitas vezes por dia em pequena quantidade alimentos saudáveis como fruta
e saladas para não aumentar de peso
7. beba muita água e pratique exercício físico regular (pelo menos andar a pé...)
8. cuidado com o álcool, pois há tendência a substituir uma dependência por outra e o
álcool enfraquece a força de vontade
9. tente evitar serões em frente da televisão nos primeiros dias. Se se sentar como habitualmente em frente do televisor é provável que sinta um grande desejo de fumar
10. evite ocasiões que aumentem a vontade de fumar
(jantares, festas, reuniões sociais...)
11. coma uma maçã ou beba um sumo em vez de fumar na hora do café
12. o desejo de fumar aparece regularmente em intervalos de meia a uma hora e dura cerca de 5 minutos. Respire fundo, beba água, levante-se do sítio onde está sentado que
a vontade de fumar passa rapidamente
13. comece o dia a pensar: “hoje não fumo, amanhã logo se vê”

O aumento de peso
- é usual a preocupação com o aumento de peso após a cessação tabágica
- é verdade que pode aumentar cerca de 2 a 3 Kg, que seria o peso que teria
se não fumasse
- se substituir o tabaco por alimentos ricos em açúcar e gorduras é evidente que
aumentará muito mais de peso
- se estiver atento ao tipo de alimentos, não deixar passar o horário das refeições, programar atempadamente as mesmas, caminhar regularmente, cerca de uma hora por dia a pé, pode evitar esse aumento
- não faça dieta nesta altura. Em princípio o peso voltará ao normal ao fim de um ano. Se tal não acontecer pode programar-se ajuda com uma dietista ou nutricionista

Medicamentos

• hoje em dia existem medicamentos que o podem ajudar a deixar de fumar e a não aumentar de peso. Quase todos são de prescrição médica obrigatória. Peça ajuda ao seu médico
Recompense-se
- é importante que se recompense para não ter a sensação de perda
- gaste o dinheiro que poupou do tabaco em coisas que lhe dêem prazer como por
exemplo roupa nova, perfumes, livros, viagens... A sua maior recompensa vai ser o prazer que vai sentir em ter sido capaz de deixar de fumar

Muito importante

- para a maioria das pessoas as 2 ou 3 primeiras semanas são as mais difíceis
- lembre-se sempre que mesmo após uns meses ou anos sem fumar não deverá fumar um único cigarro
- parar de fumar significa que não poderá fumar de novo, pois o risco de recaída é muito grande
Aponte as principais razões que o levam a querer
deixar de fumar:

1._____________________________________
2._____________________________________
3._____________________________________
4._____________________________________
5._____________________________________

Aponte as principais dificuldades que encontra para
deixar de fumar:

1._____________________________________
2._____________________________________
3._____________________________________
4._____________________________________
5._____________________________________

sábado, fevereiro 03, 2007

Como Parar de Fumar



Parece que foi ontem mas passaram-se quase 30 anos desde que fumei o meu primeiro cigarro. No dia 31 de Janeiro de 2007, por volta das 23 horas, fumei o meu último cigarro. Eu não quero mais fumar, mas está a ser mesmo muito difícil. No dia seguinte à minha decisão, fiquei super esquisita. Não sentia a minha boca, tive tonturas e andava como se não houvesse chão, tipo no ar. Aguentei. Ontem, o segundo dia, foi menos complicado já que não tive nenhuma reacção forte, mas em compensação pensei nele (cigar..) algumas vezes. O mais difícil está a ser conseguir livrar-me dos hábitos. Todas as manhãs, quando chegava ao trabalho, ia beber um cafezinho e fumar um cigarro. E varias vezes ao dia, tinha aqueles horários certos para acender o vicio. Estas são as horas mas difíceis. Hoje, sábado, são já 60 horas sem fumar. Segundo um site que vi ontem, assim que deixamos de fumar, o organismo inicia quase imediatamente, a reparação das lesões existentes, resultando uma série de alterações benéficas para a saúde. Depois de 8 horas, os níveis de nicotina e de monóxido de carbono baixam para a metade e os níveis de oxigénio voltam ao normal.
Depois de 24 horas, o monóxido de carbono começa a ser eliminado do organismo e os pulmões ficam livres de uma série de resíduos e mucos.
Estou exultante já que ultrapassei a barreira das 48 horas, que é quando deixa de existir nicotina no organismo.
O que posso dizer? É incrível como a minha pele mudou em dois dias e respiro fundo com grande facilidade. Espero que isto me dê forças para continuar. Tá muito duro mas, quero dizer no próximo mês, que sou uma ex-fumadora.

terça-feira, julho 18, 2006

Notícias de última hora


Extra, extra !!!!!!!!!!!

Papai Noel veio passar uns tempos no Algarve, e aproveitar as belíssimas praias da Região. De passagem pelos Correios locais, deixou a uma jornalista de origem brasileira e radicada em Olhão, uma enorme caixa perfumada a PHEBO e recheada de prendas. Tudo indica que umas mulheres muito malucas, pertencentes à família Lacerda, natural do Rio de Janeiro, resolveram presentear com cartões, camisolas, vestidos, sandálias e não só, a felizarda jornalista que segundo dizem, quase teve um piripaque de emoção. Em entrevista a Rádio Atlantico, a jornalista de nome Lúcia Cristina garantiu que não estava à espera, e que tudo aconteceu tão rápido, o que deixou-a meio abobada e falando coisas sem nexo:

- Eu quero a paz no mundo e adoro "o Pequeno Príncipe", disse Lúcia Cristina- Gostaria de agradecer a todas e dizer : Obrigada por vocês existirem!

Segundo Lúcia Cristina, a saudade tem-na acompanhado desde a sua vinda para Portugal, mas momentos como esse fazem-na sentir acarinhada e amada.
Entretanto, por mais que tentássemos, não conseguimos entrevistar Papai Noel. O bom velhinho misturou-se aos milhares de turistas, que nesta época do ano visitam a região algarvia.

Por enquanto é tudo no que toca a informação, outras noticias no site
www.atlanticofm.com

10/07/2006

quinta-feira, maio 11, 2006

Tomei coragem e expus as minhas pinturas


Dei voltas e mais voltas, e quando a Paula Ferro me falou sobre o Dom Manuel, em Tavira, não pude recusar. Apesar de achar as minhas pinturas um tanto quanto banais e pueris, embromei, embromei, mas não teve jeito. E lá estão até ao dia 9 de Julho.
Sempre gostei de arte. Todas as manifestações artísticas sempre me atraíram. O teatro, a dança, a pintura e a música, são os meus predilectos. Já experimentei o teatro e a televisão, aliás, representar em palco sempre foi a minha fascinação desde miúda, mas o dia-a-dia e as tais voltas que a vida dá, acabaram por adormecer o “bichinho”. A música sempre me acompanhou. Aos 3 anos de idade, incentivada pela minha mãe e o meu pai emprestado, Octávio, já tocava piano e participava em programas musicais e infantis, na extinta TV Tupi e na TV Globo. Pode parecer incrível, mas lembro-me perfeitamente de vários episódios de “No Reino da Música”, comandado por Wilma Hart (A Xuxa dos anos 60), do programa da “Tia Fernanda”, dos castings para anúncios televisivos e ensaios fotográficos. Sei perfeitamente que tinha menos de 5 anos na época, mas lembro-me com detalhes de várias situações. Quando a minha mãe nos deixou e eu mudei-me para a casa dos meus avós, em Bicas, o estudo de piano ficou em “stand by”, e apesar dos meus esforços e os da Sofia e de sua mãe, D. Mafalda, eu não tinha piano para ensaiar e fui “obrigada” a trocar de instrumento, neste caso a flauta doce, para não perder o “ouvido” para a música. Penso que posso considerar uma frustração não ter avançado com os estudos de piano. A dindinha Wilma incentivou-me a continuar com a flauta doce e até presenteou-me com uma que comprou na Alemanha e que até hoje me acompanha. Mas a minha fascinação com a música não ficou por aí. Os sons do violão também me cativam. Felizmente não tentei cantar. O mundo não estava preparado para a minha voz de taquara meio rachada.
Quanto à pintura, nem sei o que me fez colorir umas telas. Acho que de tanto organizar exposições de pintura durante 4 anos, quando estive à frente da Galeria Dina Brito, aqui em Portugal e de admirar alguns quadros, deu-me vontade de gastar uns “cobres” em tinta, pincéis e telas. Considero-me uma pintora medíocre, não tenho técnica, pinto por brincadeira, mas tomei coragem e expus algumas dessas brincadeiras. . Vamos lá ver no que é que dá.
Se alguém quiser conhecer esses trabalhos, é só ir ao D. Manuel, em Tavira, que abre de terça a domingo, a partir das 19 horas. Aceito as críticas.


Foto: "O Abapuru" de Tarsila do Amaral
Sites:
Pintores Famosos:
http://www.pintoresfamosos.com.br
http://www.trabalhoescolar.hpg.ig.com.br/pintoresfamosos.htm
http://www.buscatematica.com/artes-plasticas.htm
http://www.pinturabrasileira.com.br/
A Arte de Nide em Temas do Folclore Baiano http://www.nidearte.net/temasFol.htm
Portinari
http://www.vidaslusofonas.pt/candido_portinari.htm
Manabu Mabe
http://www.pitoresco.com.br/brasil/manabu/manabu.htm
José Pancetti
http://www.pinturabrasileira.com/artistas_bio.asp?cod=22&in=1
Anita Malfatti
http://www.pitoresco.com.br/brasil/anita/anita.htm
Clovis Graciano
http://www.pitoresco.com.br/brasil/graciano.htm
Aldemir Martins
http://www.itaucultural.org.br/aldemirmartins
Di Cavalcanti
http://www.dicavalcanti.com.br/
Mário Zanini
http://www.mac.usp.br/exposicoes/99/secarte/obras/zanini.html

Tarsila
http://www.tarsiladoamaral.com.br/index_frame.htm

segunda-feira, maio 01, 2006

Feriadão e praia: 'Bão dimais, sô!'





Eh, pá, fui à praia... Quer dizer, não foi bem ir à praia, considerando que fiquei apenas meia hora. A Fuzeta estava óptima neste Domingo. Apesar da minha brancura poder ter assustado alguns mais desavisados, e a água com uma temperatura semi-polar, 'curtí à brava' . Muitas pessoas deram uma escapadinha ao litoral para curtir o primeiro fim-de-semana ensolarado do ano, já que a Semana Santa foi de muita chuva, vento e trovoada. Ontem e hoje, pela manhã, as filas para os barcos em Olhão, eram imensas e nem havia lugar para estacionar na Baixa da cidade. As ilhas constituiram um dos maiores atractivo deste fim-de-semana prolongado, já que o Cerro de São Miguel, continua a ser o local predilecto de romaria no 1º de Maio. Hoje, também os Maios (os bonecos feitos artesanalmente e colocados à porta de casa, que retratam os aspectos da vida quotidiana, e quase sempre acompanhados de versos com crítica social e politica), são atracção e tradiçao nos concelhos de Faro e Olhão.
E São Pedro ajudou. O dia está lindíssimo, quase tropical. É pena que estou aqui, na rádio, a trabalhar. Sacumé, jornalista não tem descanso, mas o céu azul que vislumbro da janela, quase que renova o espírito.
E lá vai outra vez: 'Tá bão dimais, sô...'

Fotos: Fuzeta (Olhão)

esquerda: Ria Formosa

Direita superior : Praia da costa(Fuzeta - Ilha da Armona)

Direita inferior: Boas vindas à Fuzeta, a "Branca noiva do Mar"

E não se pode falar da Fuzeta, sem mencionar os Iris, grupo de Domingos Caetano, fuzetense convicto: www.iris.pt

quinta-feira, abril 27, 2006

Adeus ao Frio...





Felizmente, o frio vai abandonando aos poucos o hemisfério norte desse imenso e pequeno planeta azul. Posso dizer que o longo Inverno é de longe, das coisas mais difíceis de enfrentar na Europa e que faz aumentar as saudades do meu Brasil. Estamos entrando no mês de Maio, e a primavera começa a dar ares de verão. Os meses de Maio e Junho são os que eu mais gosto em Portugal e Espanha. Ainda cai uma chuvinha de vez em quando, as noites são amenas e os dias fantásticos. Flores de todas as cores nascem um pouco por todo o lado. O colorido das borboletas e chilrear dos pássaros, completam o cheirinho a verão. Os pesados sobretudos, os gorros e luvas vão dando lugar a roupas mais leves. Este fim-de-semana consegui ver os meus pés e braços. Oh, meu Deus, já não estou branca, eu estou Verde. Parece mentira, mas durante 7 meses nós não vemos os nossos pés. À hora do banho, o vapor da água 'pelando' e a pressa em vestir meias e roupas quentes, não nos dá tempo de apreciar uma das partes mais importantes do nosso corpo; aquela que nos sustenta e nos leva a todo o lado. Começo a apreciar as sandálias e chinelinhos coloridos que vão aparecendo esporadicamente nas vitrinas.
A depilação deixa de ser um tormento e começamos a nos preocupar com a silhueta que andou coberta durante vários meses e disfarçada pelas lãs. As sopas e comidas quentes e fortes deixaram gordurinhas indesejadas. Aqueles chouricinhos assados à lareira, nas noites frias e os copitos de vinho tinto dão sinal que precisamos de uma dieta para o verão. Começa a instalar-se uma nostalgia de churrascos, praia, bermudas e janelas abertas. É hora de guardar as lãs e pendurar nos armários roupinhas mais leves. Não nega que sou brasileira.
Nem me importo de saber que no verão trabalho muito mais, principalmente aos fins-de-semana. A minha profissão obriga ir aos festivais e concertos de música, festas municipais, entrevistar artistas famosos nacionais e estrangeiros, fazer passeios de barco para as ilhas algarvias numa promoção qualquer, ir a festas VIP ou tradicionais e vai por aí afora. (que chatice, né?),
Mas fazer o quê ? Ossos do ofício… Só me apetece gritar : Venha a Primavera, o Verão, o calor…. A partir de Outubro preocupo-me novamente com o frio….

Fotos: em cima - vista aérea da parte histórica de Olhão - Algarve
Em baixo- Praça dos mercados do peixe e frutas, em Olhão (no verão, há música, karaoke, sorvete, chopp e turistas) E como se diz em Bicas, "É bão dimais da conta, uai"...


quarta-feira, abril 19, 2006

Para a Mônica Monteiro...

Há uns dias, a minha irmã Mónica, disse-me algo por telefone, que tem me feito pensar. Não fazia ideia de que eu pudesse ser a pessoa mais importante na vida de alguém.
Penso que muitas vezes, deixamos as coisas acontecerem, vivemos a nossa vida em função do trabalho, amigos, cuidar da casa, enfim, vivemos o dia-a-dia e esquecemo-nos de pequeninos detalhes que podem fazer com que nos sintamos melhor ou que possam fazer outra pessoa sentir-se também especial. Foi justamente o que aconteceu. Senti-me especial.
E essa verdadeira declaração levou-me novamente a recordações. Voltei ao passado, e dei-me conta que certos acontecimentos da minha vida estavam tão esquecidos na minha memória, que pareciam ser os da vida de outra pessoa.
Quando a nossa mãe Narcisa faleceu, a Mónica tinha apenas 5 dias de vida e eu, 5 anos, mas lembro-me perfeitamente desse dia 11 de Janeiro de 1968. Eu estava a brincar na nossa casa no Bairro Peixoto, Copacabana, com a Tina, minha babá, que junto com o Nilson, tentava distrair-me da enorme tragédia que bateu à porta da nossa família. Eu estava achar muito bom que a vó Nair e vô Rogério estivessem lá em casa, pensava que era alguma festa, com tantas pessoas que me eram queridas, ali, de um lado para o outro. Mas a história era outra, e não vale a pena remexer em feridas antigas. Depois de uns dias que me pareceram confusos, já não me lembro muito bem, chega aquela trouxinha branca com uma bonequinha viva, com uns tufos louros e olhos azuis. Era a minha irmã. Muito azáfama, e um tempo depois, estávamos a viver num lugar que eu adorava: Bicas. A casa da minha avó, no Bairro Santana, era como um refúgio. Amava aquele lugar.
Apesar de ter acontecido há tanto tempo, lembro-me perfeitamente da mexeriqueira no quintal, onde o tio Rogerinho construiu um baloiço, da Maria Fumaça, que passava todos os dias a horas certas, dos vizinhos, D. Assunta, D. Júlia, “Seu” Lindolfo, do pé de Romã no jardim da D. Assunta, da Gogóia, do “Sobe-e-desce”, que com a sua farda de polícia e grande bigode, eram o pretexto para que Waltencir conseguisse me aplicar alguma injeçao quando estava com gripe, da prima Nely, dos quindins na Padaria da Cleomar, dos vestidos curtos, rabo-de-cavalo e chinelinhos. Parafraseando Ataulfo Alves, “eu era feliz e não sabia…”
Nessa época, Bicas era muito diferente. O Bairro Santana parecia-me enorme, quando aos domingos, ia a casa da Grace, e à Piscina. Não havia casas na parte central, só o Ginásio Estadual, onde frequentei depois de acabar o Liceu. Ali, naquele enorme terreno, muitas vezes fui alimentar a minha imaginação infantil, cada vez que um circo chegava à cidade. Nem as ameaças, que o medo da minha avó em que qualquer coisa de mal nos acontecesse ou que alguém do circo me levasse, impediam-me de ir à tarde, depois da escola, ver os animais e tentar arranjar algum amiguinho da minha idade, para me contar como era aquela vida nômade, que me fascinava.

Sempre quis conhecer outras cidades. O mundo e as suas diversas culturas exerciam em mim, qualquer coisa como um encantamento. Colhia informações sobre a Austrália, Japão, Egito, adorava as aulas de Geografia, e devia ser uma das poucas da minha turma que ‘sorvia’ as palavras da Professora Lia, sobre as culturas egípcias, romanas, europeias. Sempre tive ‘sede’ em aprender tudo sobre o mundo. (Da última vez que fui ao Brasil, estive em Guarará e ainda tentei entrar em contacto com a professora Lia e o seu marido António Carlos, que foi também meu professor de Matemática, mas infelizmente não consegui)

A minha vontade de conhecer mundo trouxe-me à Europa. A faculdade de Jornalismo, em Portugal, deu-me bagagem cultural, o meu trabalho na Rádio Atlântico fez-me conhecer os meandros da sociedade algarvia. Mas onde quer que estejamos, o que realmente conta, a nossa personalidade, formada na infância e adolescência, não muda. Algumas arestas são limadas, mas continuamos lá. A família, os amigos, os primeiros professores, demonstrações de ternura e afecto, liberdade relativa e até mesmo os episódios tristes ou caricatos, formam a essência daquilo que somos hoje. E eu sou a mesma pessoa e continuo a derreter-me com demonstrações de carinho como esta, da minha irmã Mónica. Ela também é muito importante na minha vida, apesar da distância física que nos separa.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Malta de Portalegre


Nada como encontrar caras conhecidas ou ter notícias de pessoas que já não fazem parte do nosso dia-a-dia. Uma fase fantástica da minha vida, foi passada na cidade de Portalegre. A vida de estudante foi tudo, menos monótona, e conheci muita gente interessante. Depois, quando acabou o curso, cada um foi para o seu lado, e perdemos o contacto. E quando não estamos a espera de que tal aconteça, um simples jantar pode reavivar a memória. Ontem, uma boa parte dos jornalistas algarvios reuniu-se para um convívio, em Faro, onde acabei por encontrar alguém dos tempos estudantis, em Portalegre. Também vi que não sou a única nostálgica. Descobri o blog da malta. http://velhosdeportalegre.blogspot.com
Agora, sempre que puder, vou clicar prá matar as saudades.

"De Portalegre cantando...
meu canto é doce, é amargo,
já sinto os olhos turvando,
Já sinto o peito mais largo.... "

terça-feira, janeiro 10, 2006

Falando Sério - 2006





Tratado de Kioto

Mais um ano recheado de catástrofes por todo o mundo. O Homem torna-se assim, assassino de si mesmo. Muitos dos acontecimentos trágicos deste ano que passou, teve o dedinho do Homem. O futuro está a ser traçado por profundas transformações.
Há mais de duzentos anos, quando a Revolução Industrial marcava o início de uma nova era, ainda não havia uma consciência ambiental. Não havia necessidade, já que os recursos naturais eram abundantes. Mas, as indústrias foram crescendo, a população foi aumentando, e a tecnologia tornou-se tão desenvolvida, que cada inovação torna-se obsoleta em pouco tempo. A natureza, em especial, a atmosfera está a degradar-se devido a esses avanços e exploração abusiva. A emissão de gases tóxicos é uma realidade, e a falta de preocupação com a natureza e seus recursos chega a assustar. Como será possível viver neste planeta daqui a 3 gerações, por exemplo? Esta despreocupação com os recursos naturais tem acarretado uma série de fenómenos provocados pelo chamado "aquecimento global".

E devido a globalização, temos conhecimento desta realidade. É só ver as noticias: Frio mata no norte da Europa, há falta dagua em Portugal e Espanha, calor matou centenas de pessoas no último verão, há cheias em Moçambique, fogo na Califórnia e em Sidney, na Austrália. Furacões assolaram o Atlantico e atingiram o poderoso chefão. Desde ontem que Portugal está a ser abalado por sismos de magnitude 5 na Escala de Richter.

Nos últimos anos, as Organizações não governamentais de preservação ambiental e a comunidade cientifica têm tentado alertar o mundo, que já está consciente de que os bens que a natureza oferece à humanidade, são escassos e não se renovam facilmente. O desenvolvimento sustentável que tanto se fala hoje em dia, é uma necessidade para que o mundo não entre em colapso.

O dióxido de carbono (CO2) em excesso na atmosfera é responsável por muitos males, incluindo o "Efeito Estufa", que acumula partículas desse gás no ar, impedindo que as radiações de calor da terra possam ir para o espaço, criando, assim, o aquecimento global (ver gráfico à esquerda). Cerca de 70% de CO2 na atmosfera provem das emissões dos países industrializados. A isso, juntam-se os desmatamentos, os milhares de hectares de florestas destruídos pelo fogo, um pouco por todo o mundo, e aí está o big problema actual.

Em 1997, uma conferência na cidade japonesa de Kioto, reuniu representantes de diversos países. O tema da conferência era justamente a questão do aquecimento global, provocado pelos tais gases, e foi discutido como diminuir ou parar este efeito. O Tratado de Kioto foi o resultado desta conferência. Este Tratado é um documento onde os países participantes se responsabilizariam em diminuir a poluição causada por seu desenvolvimento, especialmente o industrial. Mas era necessária a adesão de 55% dos países para que o tratado desse certo. Algumas instituições e governos já tomaram a iniciativa e estão desenvolvendo, com sucesso, projetos de seqüestro de carbono. Não apenas com o objetivo de preservação ambiental, mas também como uma poderosa fonte de renda, e cá p’ra mim se não fosse a tal fonte de renda…

Este sequestro de carbono, não é nada mais nada menos, que muito carbono a ser absorvido por florestas, como a da Amazónia, através do processo de fotossíntese. Mas o carbono emitido pela população mundial não consegue ser absorvido pelo pouco verde existente no planeta.
Na opinião de muitos cientistas, o problema não está na emissão dos gases em si, mas na sua quantidade excessiva que a natureza não consegue absorver através da fotossíntese, processo no qual as plantas captam dióxido de carbono e liberam oxigênio. O que fica de CO2 excedente na atmosfera contribui para o efeito estufa.

Mas será possível que alguns governantes cabeças-duras não vêem que se assim continuar não vai haver nada para governar daqui a uns anos? As catástrofes, resultantes do efeito estufa vão continuar um pouco por todo o mundo. Nos EUA, até resolveram mudar os nomes femininos dos furacões para as letras do alfabeto grego. Mas se nada for feito, se o Tratado de Kioto (ou Kyoto, em alguns países) não sensibilizar mais governantes, qualquer dia, não vai haver alfabeto que chegue.


E nós ? Onde ficamos nós?

Fonte: Marcos Carneiro
Jornal O Girassol em
http://www.ogirassol.com.br/aprender51/

Mais informações sobre o Tratado de Kioto:

Ministério da Ciência e Tecnologia BR - http://agenciact.mct.gov.br/index.php?action=/content/view&cod_objeto=17978

WWF - http://www.wwf.org.br/participe/minikioto_listapaises.htm

6 perguntas sobre o Tratado (em espanhol) - http://www.20minutos.es/noticia/5208/0/kioto/protocolo/emision/

Efeito Estufa - http://www.geocities.com/Augusta/7135/

Mudanças Climáticas - http://www.comciencia.br/reportagens/clima/clima11.htm

Imagens: www.escolavesper.com.br
www.radiobras.gov.br/

segunda-feira, novembro 14, 2005

Lembranças e Lembraduras de Bicas - parte 2


Tenho que escrever sobre Bicas outra vez. Tenho recebido muitos e-mails, desde que lancei no blog “Lembranças e lembraduras de Bicas”. Recebi um, com fotografias e tudo. Veio da parte da prima de uma colega que acompanhou comigo, o ginásio e o segundo grau. Foi fantástico ver as fotografias e saber que mais pessoas partilham comigo, as saudades de Bicas. Depois que escrevi aquele “post”, andei a revolver nos arquivos da minha memória, diversas situações que se passaram, em Bicas. Algumas caricatas, outras nem por isso, e que achei melhor deixar arquivadas… Em breve….

Fotografia: Vista aérea da cidade de Bicas, em 1995, mostrando o centro e o morro do cruzeiro (no meio), a região da exposição agropecuária (à direita) e a parte alta (à esquerda). Bicas encontra-se, como várias outras cidades da Zona da Mata de Minas Gerais, envolta pelo típico relevo local conhecido como "mar de morros". in http://pt.wikipedia.org/wiki/Bicas

quinta-feira, outubro 20, 2005

Preocupar, prá quê?

Recebi esta mensagem há alguns dias e achei que poderia melhorar o astral de muita gente:

Há apenas duas coisas com que se preocupar:
se estás bem,
ou se estás doente.
Se você está bem
nada há com que se preocupar...
Se estás doente,
há duas coisas com que se preocupar:
se você vai ficar bem,
ou se vai morrer.
Se ficares bem,
não há nada com que se preocupar.
Mas se você morrer,
há duas coisas com que preocupar:
Se você vai para o céu,
ou se você vai para o inferno.
Se você vai para o céu,
não há nada com que se preocupar.
E se você vai para o inferno,
estará tão ocupado cumprimentando os amigos
que nem terá tempo de se preocupar...
Então, porquê se preocupar ?
Realmente, não há com que se preocupar



Obs. : Esta imagem foi retirada do site www.maps-of-mexico.com .

sexta-feira, outubro 07, 2005

7 de Outubro



Tenho negligenciado um pouco este blog, mas em épocas de campanha para as autárquicas, tenho mesmo trabalhado a dobrar e com uma responsabilidade acrescida, já que o mínimo deslize poderia custar uma sanção tanto ao órgão de comunicação para o qual trabalho, e mais importante ainda, o meu, não muito bem pago, mas “meu” emprego.
Mas, como hoje, dia 7 de Outubro é aquele dia em que fico emocionada com qualquer telefonema ou e-mail que me enviam, não podia deixar de desabafar um pouquinho, né ?
Pois é, 43 Primaveras, Verões, Outonos, e Invernos, que aliás aqui são enormes... Este é o tal dia em que pensamos e remoemos no que é que andamos a fazer durante essas estações todas. Acho que tenho vivido todas de forma intensa, talvez não da melhor maneira, mas com muitos erros e acertos à mistura. Afinal é para isso que cá estamos, não é... para tentarmos melhorar alguns aspectos que à partida, não sabemos quais são. Como uma grande parte dos milhões de pessoas que habitam este planeta azul, tenho tido a minha quota de erros e acertos, mas, graças a Deus, tenho mais sorte que muita gente boa por aí, que hoje também pode estar a fazer aniversário, e muito provavelmente não têm amigos ou parentes que lhes enviem uma simples mensagem de parabéns. Gostaria de deixar os meus votos de Feliz Aniversário a estas pessoas que não têm quem lhes abrace ou festeje, ou mesmo se lembrem da sua data de nascimento.
Provavelmente, estão hoje a fazer aniversário, algumas crianças subnutridas de Africa, alguns prisioneiros de guerra, alguns índios sul-americanos, ou africanos, crianças que não tiveram e não têm carinho dos pais, crianças de rua, mendigos, enfim, pessoas que o mundo esqueceu, ou prefere ignorar, a estes e outros é que hoje, dia de Nossa Senhora do Rosário, elevo o meu pensamento e solidariedade.
Bem hajam

quinta-feira, setembro 01, 2005

Como o Roberto Leal


Já estou como o Roberto Leal, que sente-se português lá e brasileiro cá.
Quando chegamos aqui (de lá) ou cá (de cá) a confusão instala-se.
Termos e palavras portuguesas com sentidos completamente diferentes fazem com que brasileiros recém-chegados cometam gafes atrás de gafes. Nunca, em momento algum, diga que deu uma rata, que aqui é tremendamente pejorativo. Cometeu uma gafe, viu? GAFE !
Tou sim, ou está lá, são as habituais saudações, e com licença, as despedidas, quando se fala ao telefone. O celular passa a telemóvel e rapariga não é palavrão. Comprar carne no talho ou um martelo na drogaria ou linhas e agulhas na retrosaria, são alguns exemplos das subtis diferenças. Mas o melhor é que carregar é o mesmo que apertar, e autoclismo é o mesmo que descarga. Tem mais, muito mais. Não se despeja o lixo e sim, deita-se o lixo. Não se usa água sanitária, mas sim, lixívia. Uma lagartixa vira osga e uma patricinha é queque (Não confundir com que + ca – é palavrão e designa acto sexual).
Se é da hora, é fixe e se é fantástico, é bué d’a fixe. Se uma pessoa é legal, prá cima, aqui passa a ser porreira. E paneleiro não é aquele faz panela, mas é o gajo, ou cara, que senta na boneca. Cu não é palavrão e designa a parte traseira, a poupança, as nádegas, o bumbum dos portugueses e portuguesas, alias aqui, o comum não é cair sentado, mas sim, cair de cu. Injecção é pica. Já viram então como fica, levar uma injecção nas nádegas. É prá qualquer brasileiro ou brasileira, que não goste, é claro, sair correndo de uma sala de hospital ou enfermaria, ah, e quem tem muita energia, é porque tá cheio de pica. Pensando bem, até tem um bocado de lógica.
Aqui nada é planejado, tudo é planeado. Cueca é de mulher e homem usa camisola. Aliás, para dormir o que se usa é camisa. Antes de deitar, lavam-se os dentes na casa de banho. A privada vira pia,
e a pia passa a ser lavatório. Não se esqueça então, de carregar no autoclismo, ta a ver? Ah, aqui, em algumas regiões, dá-se banho e não toma-se banho.
Puto também não é palavrão, alias, puto é o mesmo que menino, mas o feminino continua a significar a mesma coisa tanto em terras lusas quanto em terras de Vera Cruz.
Ir ver uma partida de futebol é ir a Bola, se for a praia, vai a banhos, se for a padaria, vai ao pão. O mais giro, ou o mais bonito, é que engraçado é bonito. Não, não estou disléxica, é que se achamos que alguém tem uma beleza especial, então achamos a pessoa engraçada. Dá p’rá sentir a confusão? Uma pessoa engraçada para o brasileiro é uma pessoa cómica para o português.
São as diferenças que o oceano interpôs entre o português do país original e o português do nosso Brasil.


Você sabia que cerca de 6.800 línguas são faladas em todo o mundo? Se quiser saber quantas línguas existem no Brasil, é só ir ao site
http://www.aultimaarcadenoe.com/linguistico.htm

terça-feira, agosto 30, 2005

Há 500 anos atrás...em Castro Marim




Os dias medievais de Castro Marim...
Nos últimos 8 anos tenho ouvido e lido, muitas vezes, maravilhas sobre este evento peculiar, mas tudo o que eu pensava saber, foi por água abaixo, quando fui literalmente absorvida pela idade média, assim que pus os pés na vila.
Os cheiros, as vestimentas, o mercado... era o passado ali, presente, à minha frente, que culminava na forma de castelos e muralhas, e nas gentes que passeavam por ali, vestidas a rigor: pajens, damas, guerreiros, leprosos, bobos, enfim, tudo o que nós aprendemos nos livros e filmes, a transportar-nos para aquela época sombria, de torturas, honras e duelos.
E se não deixarmo-nos arrastar para o passado, os Dias Medievais em Castro Marim dá-nos a impressão de estarmos a participar, num filme épico, ou de fazermos parte de um reino encantado, saído de um livro de contos de fadas.
A experiência foi fantástica. Fui convidada para o banquete medieval no Castelo Pequeno, onde tudo foi pensado ao pormenor. A mesa, os artefatos, os acordes da gaita de foles da música celta, e os espectáculos, que durante duas horas, foram se alternando para gáudio dos convivas. Mouros encantadores de serpentes, dançarinos, monges, saltimbancos, mambembes, bobos, acrobatas, jograis, havia de tudo um pouco.
Também o repasto, foi diferente. As entradas, a sopa, o prato principal e os doces foram feitos à moda medieval. Todos muitíssimo saborosos.
No final do banquete, realizado no Castelo Pequeno, dentro das muralhas, e após um belíssimo espectáculo conduzido por arautos e bandeiras, o especáculo de música celta, esperava-nos nas liças do Castelo. Realmente fantástico.
A história deste concelho, um dos mais antigos do Algarve, perde-se nas brumas do tempo e remonta à época dos romanos, celtas e árabes, que a ocuparam, tendo construído fortalezas e castelos para defender a terra.
Segundo a publicação Fórum Empresarial, “o Castelo de Castro Marim, guardião da paisagem foi cenário de actos heróicos e trágicos. Erguido pela vontade um rei, as suas pedras mudas resistiram ao olhar do tempo e as paredes silenciosas ainda guardam o eco de batalhas sangrentas.
Classificado como monumento nacional, situa-se num ponto cimeiro da vila e todos os anos, no fim de Agosto, é palco dos Dias Medievais. Ao longo de quatro dias e noites, a vila mergulha no passado e revive a Idade Média, com emotivos torneios de cavalaria, princesas, nobres, cavaleiros, grandes banquetes e espectáculos teatrais e musicais alusivas à época.”
Eu estive lá!



Uma breve historia de Castro Marim, pode ser vista no site
http://castromarim.com.sapo.pt/bh.html

ou pode ainda ser consultada a pagina sobre a vila, no site do Jornal Região Sul, em
http://www.regiao-sul.pt/algarve/cmarim/

Neste site, encontram-se varias fotografias sobre Castro Marim,
http://www.portugal-book.com/algarve/castromarim/

Paisagens e localização, em português :
http://www.portugalvirtual.pt/_tourism/algarve/castro.marim/ptindex.html

ou em inglês:
http://www.portugalvirtual.pt/_tourism/algarve/castro.marim/

Sobre a heráldica,
http://www.fisicohomepage.hpg.ig.com.br/ctm.htm

Locais a visitar:
http://www.strawberryworld-algarve.com/guia-do-algarve/places/castro-marim.html

O mapa da cidade, restaurantes e outras informações:
http://viajar.clix.pt/pt/dst3265.php?mc=castromarim&mg=1&lg=pt

sexta-feira, agosto 26, 2005

Lembranças e Lembraduras de Bicas


Que saudades de Bicas

Há dias, em que a nostalgia bate fundo e nesses dias, vou à procura de notícias da “terrinha”. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir a coluna do Zé Arnaldo, em
http://www.zearnaldo.com . Tá lá tudinho!
A maior festa de Bicas, a Exposição Agro-pecuária, aquela época do ano que, onde quer que eu estivesse, em qualquer ponto do Brasil, saía a correr prá não perder pitada. A minha vó Nair, até dizia, que o prefeito deveria me oferecer as chaves do Parque de Exposições, já que eu o abria e fechava.
Lá, apreciava as peripécias equestres do Taizinho e do Mano, bebia umas cervejinhas na barraca do Miltinho e do Paêra, cantava “Pinga ni mim”, com o Carlos da Casson, ou a “Arapuca”, naquelas serestas improvisadas no barzinho dos Salles, ou na barraca da Real Biquense, onde o tio Rogerinho também dava uma ajuda. E aquele angu à baiana, chega a dar água na boca, mesmo depois de tantos anos...
Tenho saudades dos meus amigos de infâncias e de juventude: a Rosilene, as Heloísas, a Cláudia, a Carla Clemente, a Eliane Schettini, a Cristiane e a Jacqueline, a Adriana, filha do Waltecir, a Rita, a Cristina Santos, a Selvinha, a Kátia, a Odisseia, o Cosminho e o Marquinhos, a Cristina e a Glorinha, o Betinho, o Magela, o Xisto, o Merquinho, e muitos outros. Tanta gente que eu perdi o contacto, depois destes 14 anos de Europa. Tenho saudades do fusquinha marado e cheio de buracos do Miltinho, saudades de andar de moto com o Badá, dos discos da Elis, que o Ruizinho era fã. Tenho saudades da convivência e da vizinhança, do Dr. Ronaldo Della Garza. Saudades do Padre Eupídeo, da Zezé do Hospital, do coral do “Seu” Vicente Rossi, Saudades da Tia Nicinha, do Renato, do Rogério e da Regina, e de ir ao Sítio do Tio Zaninho, saudades da minha madrinha Elisa, cantando “Pega a esteira e seu chapéu, vamos para o sítio do Ti’Zanin”, da Dinha, e da dindinha Wilma, Saudades da prima Vera Lúcia, e da Tia Maria José, e seus doces e licores, tão gostosos, como nunca mais provei, em nenhum país que visitei, do ‘Primão’ Toninho, de Pequeri. Saudades do tio Rogerinho, da tia Marly, da ‘Vó’ Carmélia, das primas Ivana, Heloísa e Roseli, da prima Nely e da Leila, da prima Zélia e do Amílcar, do Saulo e da Zelinha, do tio Heitor, do Célio e do Nélio, saudades dos bailes em São João Nepomuceno. Saudades do Bairro Santana, e do apito da Maria Fumaça, e até da Gogóia, que morava em frente da casa da vó Nair. Saudades do cheiro da relva cortada pelo Dóia, de beber água na fonte, em Guarará, de passear no jardim, aos Domingos depois da missa, de buscar pão quentinho da padaria do Chiquinho, ou comer uma deliciosa coxinha de galinha no Pedro Machado, e aquele leite fresquinho da Cooperativa, e até da manteiga Girafa; oh, manteiguinha boa, uai!
Saudades do Dirceu, que fazia cara de mau aos alunos, mas era, como se diz aqui em Portugal, “bué d’a fixe”, da D. Helaine Godinho, minha primeira professora, e se for ainda mais longe, tenho saudades até da D. Tueta e da D. Cândida, quando eu estudava no Liceu, da outra Dona Helaine, e da Marta e da Marly. Aliás eu achava fascinante o marido da Dona Helaine (não me lembro do primeiro nome, mas sei que o sobrenome era Adib), ter participado de uma Guerra Mundial.
Saudade do meu avô Rogério, o Português como era conhecido, saudades da minha juventude, quando a minha maior preocupação era qual a roupa que iria usar no próximo baile do Biquense, saudades de andar num ônibus da Santos, saudades de ir de bicicleta com a turma, fazer piquenique no Morro do Pirulito, ouvindo os Renaissance, saudades dos pombos do Paulo César. Saudade de Grapette, sei que é uma coisa tonta, mas que saudades que eu tenho do Grapette!
Saudades do cheirinho da terra molhada depois da chuva, aquele cheirinho que só Bicas é que tem.
Foram tantas as pessoas que passaram pela minha vida, em Bicas (muitas até já partiram para um outro plano), que quando bate essa saudade que chega a doer, dá vontade de me fechar dentro da concha do passado, e reviver cada momento, cada instante daqueles que ficam gravados, como uma película, um filme épico, que nós assistimos repetidas vezes ao longo da vida, mas sabemos que foram feitos há muitos anos atrás, e por mais remakes que façam, nunca será melhor que a versão original.
Tantos sentimentos controversos e a memória das coisas boas, encerrados numa única palavra: Saudade! Infeliz daquele que não sabe o que é ter saudades de qualquer coisa. É sinal de uma vida vazia. É por isso que eu digo de boca cheia: que saudades!!!

Sites sobre Bicas:

Bicas no mapa:
http://www.aondefica.com/brasil_r_mg.asp


História da Estação Ferroviária de Bicas - MG

http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_mg_tresrios_caratinga/bicas.htm

Página
sobre Bicas, criada por Fernanda Maria de Souza Henriques

http://usuarios.uninet.com.br/~fh/bicas.htm

Site da Prefeitura Municipal de Bicas: http://www.powerline.com.br/~admbicas/

Banco do Brasil
https://www15.bb.com.br/site/fz/mapa/estadoInter.jsp?UF=MG

quinta-feira, agosto 25, 2005

Sudoku - um vício ?



Nova onda de loucura está a invadir a Europa. Será um vírus, um vício, nã, nã, é apenas um jogo de lógica com um nome esquisito: o Sudoku.
Eu confesso: estou profundamente viciada. Já não consigo dormir sem antes resolver pelo menos um puzzle desses.
Embora inventado nos Estados Unidos, o Sudoku tomou o mundo de assalto depois que os japoneses resolveram adotá-lo, tal como fizeram com os tamagoshis e nintendos.
Segundo uma reportagem feita pelo Daily Telegraph, por Tom Utley, "Nenhum leitor ainda não contagiado deve sequer passar os olhos por um sudoku. É que no sudoku, escondem-se o vício e a loucura. Os sudokus são para os primeiros anos do século XXI, o que o cubo de Rubik foi para os anos 70: uma obssessão que nos apaixona a todos."
Parece que na Coréia, um homem morreu a jogar Sudoku. Esqueceu-se de comer, dormir, etc...
Os japoneses, verdadeiros fanáticos de quebra-cabeças numéricos e sempre ansiosos por tudo o que prometa desenvolver o seu QI. Segundo a apresentaçao do livro Sudoku, de Michael Mepham, actualmente milhões de pessoas fazem sudokus, publicados em jornais, revistas e livros, em todas as línguas do mundo inteiro.
Eu repito: estou completamente viciada na porcaria do Sudoku. Será que já há centros de recuperação para a cura deste terrível vício?...

segunda-feira, agosto 22, 2005

Noite de Fadas e Duendes com Paco de Lucia


Noite espectacular a de sábado. Eu estava super eufórica para ir, mesmo em trabalho, assistir Paco de Lucia, em Castro Marim. Paco de Lucia, o mestre do flamenco, o supra sumo da guitarra, levou ao estádio municipal de Castro Marim, mais de 4 mil pessoas que em silêncio, ficaram a ouvir, quase em êxtase, a performance daquele que é reconhecido em todo o mundo com um dos melhores compositores e guitarristas.
Amado pelos grandes da música brasileira e amante da bossa nova, Paco de Lucia, tem para mim um significado especial. Os acordes que tira de uma simples guitarra, parecem quase impossíveis.
E nesta noite memorável, onde só os mosquitos incomodaram o mestre: “Los mosquitos estan me comiendo…”, a lua cheia parece que acordou e apareceu dourada e nua, por cima do castelo iluminado de Castro Marim. Milhares de flashes tentaram captar o momento único e mágico.
O mais estranho foi a falta de elfos e ninfas a flutuar frente ao palco, tal a misticidade que envolveu aquele sábado.
O complicado mesmo é encontrar um telefone em Castro Marim. É que talvez os preparativos para as noites medievais do próximo fim de semana, tenha feito com que a vila entrasse numa espécie de máquina do tempo. Bem tentei telefonar, mas não havia nem telefone, nem cabine, nem cartão, e sinais de fumo a partir de Castro Marim, muito provavelmente não seriam vistos no Brasil. Mas não me esqueci de ti, Patrícia. Que esta data se repita ainda por muitos e muitos anos. Feliz Aniversário da prima que te ama muito, tá?
Ah, quanto a senhora Simone, não merece uma só linha, nem mesmo uma palav…

domingo, agosto 14, 2005

Festival do Marisco


Nesta ediçao do Festival do Marisco de Olhão, tenho tido uma posição privilegiada ao entrevistar todos os artistas que por lá têm passado. Já conversei com o Zé Pedro, Calu e Tim, dos Xutos, com o tímido João Pedro Pais, com o eléctrico Saulo Fernandes, da Banda Eva, e ontem foi a vez, do Domingos e da Nicole (até agora, o melhor espectaculo do Festival), e com o Bittencourt, dos Toranja. Hoje Luisa Mira e a minha conterrânea, Simone, serão as minhas próximas vítimas. Mas, e este mas, é aquele mas bem alongado, temo ficar nervosa quando conversar com a Simone. Sacumé, Simone é Simone, né?
Fechada num cubículo com o Zé Pedro, ou com o João Pedro Pais, ou mesmo o Saulo, não tremi, não gaguejei, tudo nos "conforme". Agora hoje, eu já estou tremendo pelas bases. A Simone está acostumada a ser entrevistada pelas Marias Gabrielas e pelos Jôs Soares da vida. E eu, tô me sentindo pequenininha. Uma brasileira, sem eira nem beira, fazer uma entrevista destas. Um grande privilégio e por isso mesmo, o nervoso miudinho tá querendo se instalar por aqui. 'Vamo vê o quê qui sai!'

sexta-feira, agosto 05, 2005

Bossa Nova em plena baixa de Faro

Na noite de ontem o espectáculo "Tributo a Tom Jobim", considerado um dos maiores músicos do século XX, encheu a baixa de Faro, com os acordes da bossa-nova.
O must da musica brasileira e a voz maviosa de Jandira levaram uma pequena multidão ao jardim.. "Eu sei que vou te amar", "Samba de uma nota só", "Desafinado" e "Insensatez" foram alguns dos diversos temas deste tributo àquele que é considerado, um dos melhores compositores do século XX. O ponto alto, o tema Garota de Ipanema, que a incentivo do grupo, foi acompanhado pelo publico presente. Esta foi a tal parte da emoçao, lágrimas e pele arrepiada.
Valeu! Afinal, os desafinados sempre têm um coração...


Desafinado

Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça (1958)
Quando eu vou cantar você não deixa
E sempre vem a mesma queixa
Diz que eu desafino, que eu não sei cantar
Você é tão bonita
Mas toda beleza
Também pode se acabar
Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de antimusical
Eu, mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é bossa nova
Que isto é muito natural
O que você não sabe, nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolleiflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão
Só não poderá falar assim do meu amor
Este é o maior que você pode encontrar, viu
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração

Site oficial de Tom Jobim
http://www2.uol.com.br/tomjobim/index_flash.htm

quinta-feira, agosto 04, 2005

Saudades da Terrinha


Há dias em que a nostalgia bate forte que nem tambor da Fanfarra dos Bombeiros, no dia 25 de Abril.
Em dias assim, o melhor é encarar as "lembraduras", sem choradeiras de baba e ranho, e gastar mais do que se pode, num telefonema, mesmo que dure segundos, só para ouvir uma voz familiar. Se depois disso o estado de espírito piorar, é melhor encontrar alguém para conversar, de preferência, banalidades, ou então encarar um papo mais sério, tipo crise no PT e se o Lula entrou ou não de gaiato, ou comentar as autárquicas de Outubro, em Portugal, ou a subida do IVA, a falta dágua, os fogos, etc etc etc...
Tudo o que puder, mas nunca, nunca mesmo beber uns copos a mais, com aquela treta que se beber, esquece. E nunca, nunca mesmo, vá a um Karaoke pagar micos gigantescos. Wrong!!! No dia seguinte, além das saudades dilacerantes e uma bela dor de cabeça, aquela ressaca ressaquíssima só piora o pior: o mico do dia anterior. Portanto, se tiver saudades, o melhor é não encharcar.