quinta-feira, abril 27, 2006

Adeus ao Frio...





Felizmente, o frio vai abandonando aos poucos o hemisfério norte desse imenso e pequeno planeta azul. Posso dizer que o longo Inverno é de longe, das coisas mais difíceis de enfrentar na Europa e que faz aumentar as saudades do meu Brasil. Estamos entrando no mês de Maio, e a primavera começa a dar ares de verão. Os meses de Maio e Junho são os que eu mais gosto em Portugal e Espanha. Ainda cai uma chuvinha de vez em quando, as noites são amenas e os dias fantásticos. Flores de todas as cores nascem um pouco por todo o lado. O colorido das borboletas e chilrear dos pássaros, completam o cheirinho a verão. Os pesados sobretudos, os gorros e luvas vão dando lugar a roupas mais leves. Este fim-de-semana consegui ver os meus pés e braços. Oh, meu Deus, já não estou branca, eu estou Verde. Parece mentira, mas durante 7 meses nós não vemos os nossos pés. À hora do banho, o vapor da água 'pelando' e a pressa em vestir meias e roupas quentes, não nos dá tempo de apreciar uma das partes mais importantes do nosso corpo; aquela que nos sustenta e nos leva a todo o lado. Começo a apreciar as sandálias e chinelinhos coloridos que vão aparecendo esporadicamente nas vitrinas.
A depilação deixa de ser um tormento e começamos a nos preocupar com a silhueta que andou coberta durante vários meses e disfarçada pelas lãs. As sopas e comidas quentes e fortes deixaram gordurinhas indesejadas. Aqueles chouricinhos assados à lareira, nas noites frias e os copitos de vinho tinto dão sinal que precisamos de uma dieta para o verão. Começa a instalar-se uma nostalgia de churrascos, praia, bermudas e janelas abertas. É hora de guardar as lãs e pendurar nos armários roupinhas mais leves. Não nega que sou brasileira.
Nem me importo de saber que no verão trabalho muito mais, principalmente aos fins-de-semana. A minha profissão obriga ir aos festivais e concertos de música, festas municipais, entrevistar artistas famosos nacionais e estrangeiros, fazer passeios de barco para as ilhas algarvias numa promoção qualquer, ir a festas VIP ou tradicionais e vai por aí afora. (que chatice, né?),
Mas fazer o quê ? Ossos do ofício… Só me apetece gritar : Venha a Primavera, o Verão, o calor…. A partir de Outubro preocupo-me novamente com o frio….

Fotos: em cima - vista aérea da parte histórica de Olhão - Algarve
Em baixo- Praça dos mercados do peixe e frutas, em Olhão (no verão, há música, karaoke, sorvete, chopp e turistas) E como se diz em Bicas, "É bão dimais da conta, uai"...


quarta-feira, abril 19, 2006

Para a Mônica Monteiro...

Há uns dias, a minha irmã Mónica, disse-me algo por telefone, que tem me feito pensar. Não fazia ideia de que eu pudesse ser a pessoa mais importante na vida de alguém.
Penso que muitas vezes, deixamos as coisas acontecerem, vivemos a nossa vida em função do trabalho, amigos, cuidar da casa, enfim, vivemos o dia-a-dia e esquecemo-nos de pequeninos detalhes que podem fazer com que nos sintamos melhor ou que possam fazer outra pessoa sentir-se também especial. Foi justamente o que aconteceu. Senti-me especial.
E essa verdadeira declaração levou-me novamente a recordações. Voltei ao passado, e dei-me conta que certos acontecimentos da minha vida estavam tão esquecidos na minha memória, que pareciam ser os da vida de outra pessoa.
Quando a nossa mãe Narcisa faleceu, a Mónica tinha apenas 5 dias de vida e eu, 5 anos, mas lembro-me perfeitamente desse dia 11 de Janeiro de 1968. Eu estava a brincar na nossa casa no Bairro Peixoto, Copacabana, com a Tina, minha babá, que junto com o Nilson, tentava distrair-me da enorme tragédia que bateu à porta da nossa família. Eu estava achar muito bom que a vó Nair e vô Rogério estivessem lá em casa, pensava que era alguma festa, com tantas pessoas que me eram queridas, ali, de um lado para o outro. Mas a história era outra, e não vale a pena remexer em feridas antigas. Depois de uns dias que me pareceram confusos, já não me lembro muito bem, chega aquela trouxinha branca com uma bonequinha viva, com uns tufos louros e olhos azuis. Era a minha irmã. Muito azáfama, e um tempo depois, estávamos a viver num lugar que eu adorava: Bicas. A casa da minha avó, no Bairro Santana, era como um refúgio. Amava aquele lugar.
Apesar de ter acontecido há tanto tempo, lembro-me perfeitamente da mexeriqueira no quintal, onde o tio Rogerinho construiu um baloiço, da Maria Fumaça, que passava todos os dias a horas certas, dos vizinhos, D. Assunta, D. Júlia, “Seu” Lindolfo, do pé de Romã no jardim da D. Assunta, da Gogóia, do “Sobe-e-desce”, que com a sua farda de polícia e grande bigode, eram o pretexto para que Waltencir conseguisse me aplicar alguma injeçao quando estava com gripe, da prima Nely, dos quindins na Padaria da Cleomar, dos vestidos curtos, rabo-de-cavalo e chinelinhos. Parafraseando Ataulfo Alves, “eu era feliz e não sabia…”
Nessa época, Bicas era muito diferente. O Bairro Santana parecia-me enorme, quando aos domingos, ia a casa da Grace, e à Piscina. Não havia casas na parte central, só o Ginásio Estadual, onde frequentei depois de acabar o Liceu. Ali, naquele enorme terreno, muitas vezes fui alimentar a minha imaginação infantil, cada vez que um circo chegava à cidade. Nem as ameaças, que o medo da minha avó em que qualquer coisa de mal nos acontecesse ou que alguém do circo me levasse, impediam-me de ir à tarde, depois da escola, ver os animais e tentar arranjar algum amiguinho da minha idade, para me contar como era aquela vida nômade, que me fascinava.

Sempre quis conhecer outras cidades. O mundo e as suas diversas culturas exerciam em mim, qualquer coisa como um encantamento. Colhia informações sobre a Austrália, Japão, Egito, adorava as aulas de Geografia, e devia ser uma das poucas da minha turma que ‘sorvia’ as palavras da Professora Lia, sobre as culturas egípcias, romanas, europeias. Sempre tive ‘sede’ em aprender tudo sobre o mundo. (Da última vez que fui ao Brasil, estive em Guarará e ainda tentei entrar em contacto com a professora Lia e o seu marido António Carlos, que foi também meu professor de Matemática, mas infelizmente não consegui)

A minha vontade de conhecer mundo trouxe-me à Europa. A faculdade de Jornalismo, em Portugal, deu-me bagagem cultural, o meu trabalho na Rádio Atlântico fez-me conhecer os meandros da sociedade algarvia. Mas onde quer que estejamos, o que realmente conta, a nossa personalidade, formada na infância e adolescência, não muda. Algumas arestas são limadas, mas continuamos lá. A família, os amigos, os primeiros professores, demonstrações de ternura e afecto, liberdade relativa e até mesmo os episódios tristes ou caricatos, formam a essência daquilo que somos hoje. E eu sou a mesma pessoa e continuo a derreter-me com demonstrações de carinho como esta, da minha irmã Mónica. Ela também é muito importante na minha vida, apesar da distância física que nos separa.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Malta de Portalegre


Nada como encontrar caras conhecidas ou ter notícias de pessoas que já não fazem parte do nosso dia-a-dia. Uma fase fantástica da minha vida, foi passada na cidade de Portalegre. A vida de estudante foi tudo, menos monótona, e conheci muita gente interessante. Depois, quando acabou o curso, cada um foi para o seu lado, e perdemos o contacto. E quando não estamos a espera de que tal aconteça, um simples jantar pode reavivar a memória. Ontem, uma boa parte dos jornalistas algarvios reuniu-se para um convívio, em Faro, onde acabei por encontrar alguém dos tempos estudantis, em Portalegre. Também vi que não sou a única nostálgica. Descobri o blog da malta. http://velhosdeportalegre.blogspot.com
Agora, sempre que puder, vou clicar prá matar as saudades.

"De Portalegre cantando...
meu canto é doce, é amargo,
já sinto os olhos turvando,
Já sinto o peito mais largo.... "

terça-feira, janeiro 10, 2006

Falando Sério - 2006





Tratado de Kioto

Mais um ano recheado de catástrofes por todo o mundo. O Homem torna-se assim, assassino de si mesmo. Muitos dos acontecimentos trágicos deste ano que passou, teve o dedinho do Homem. O futuro está a ser traçado por profundas transformações.
Há mais de duzentos anos, quando a Revolução Industrial marcava o início de uma nova era, ainda não havia uma consciência ambiental. Não havia necessidade, já que os recursos naturais eram abundantes. Mas, as indústrias foram crescendo, a população foi aumentando, e a tecnologia tornou-se tão desenvolvida, que cada inovação torna-se obsoleta em pouco tempo. A natureza, em especial, a atmosfera está a degradar-se devido a esses avanços e exploração abusiva. A emissão de gases tóxicos é uma realidade, e a falta de preocupação com a natureza e seus recursos chega a assustar. Como será possível viver neste planeta daqui a 3 gerações, por exemplo? Esta despreocupação com os recursos naturais tem acarretado uma série de fenómenos provocados pelo chamado "aquecimento global".

E devido a globalização, temos conhecimento desta realidade. É só ver as noticias: Frio mata no norte da Europa, há falta dagua em Portugal e Espanha, calor matou centenas de pessoas no último verão, há cheias em Moçambique, fogo na Califórnia e em Sidney, na Austrália. Furacões assolaram o Atlantico e atingiram o poderoso chefão. Desde ontem que Portugal está a ser abalado por sismos de magnitude 5 na Escala de Richter.

Nos últimos anos, as Organizações não governamentais de preservação ambiental e a comunidade cientifica têm tentado alertar o mundo, que já está consciente de que os bens que a natureza oferece à humanidade, são escassos e não se renovam facilmente. O desenvolvimento sustentável que tanto se fala hoje em dia, é uma necessidade para que o mundo não entre em colapso.

O dióxido de carbono (CO2) em excesso na atmosfera é responsável por muitos males, incluindo o "Efeito Estufa", que acumula partículas desse gás no ar, impedindo que as radiações de calor da terra possam ir para o espaço, criando, assim, o aquecimento global (ver gráfico à esquerda). Cerca de 70% de CO2 na atmosfera provem das emissões dos países industrializados. A isso, juntam-se os desmatamentos, os milhares de hectares de florestas destruídos pelo fogo, um pouco por todo o mundo, e aí está o big problema actual.

Em 1997, uma conferência na cidade japonesa de Kioto, reuniu representantes de diversos países. O tema da conferência era justamente a questão do aquecimento global, provocado pelos tais gases, e foi discutido como diminuir ou parar este efeito. O Tratado de Kioto foi o resultado desta conferência. Este Tratado é um documento onde os países participantes se responsabilizariam em diminuir a poluição causada por seu desenvolvimento, especialmente o industrial. Mas era necessária a adesão de 55% dos países para que o tratado desse certo. Algumas instituições e governos já tomaram a iniciativa e estão desenvolvendo, com sucesso, projetos de seqüestro de carbono. Não apenas com o objetivo de preservação ambiental, mas também como uma poderosa fonte de renda, e cá p’ra mim se não fosse a tal fonte de renda…

Este sequestro de carbono, não é nada mais nada menos, que muito carbono a ser absorvido por florestas, como a da Amazónia, através do processo de fotossíntese. Mas o carbono emitido pela população mundial não consegue ser absorvido pelo pouco verde existente no planeta.
Na opinião de muitos cientistas, o problema não está na emissão dos gases em si, mas na sua quantidade excessiva que a natureza não consegue absorver através da fotossíntese, processo no qual as plantas captam dióxido de carbono e liberam oxigênio. O que fica de CO2 excedente na atmosfera contribui para o efeito estufa.

Mas será possível que alguns governantes cabeças-duras não vêem que se assim continuar não vai haver nada para governar daqui a uns anos? As catástrofes, resultantes do efeito estufa vão continuar um pouco por todo o mundo. Nos EUA, até resolveram mudar os nomes femininos dos furacões para as letras do alfabeto grego. Mas se nada for feito, se o Tratado de Kioto (ou Kyoto, em alguns países) não sensibilizar mais governantes, qualquer dia, não vai haver alfabeto que chegue.


E nós ? Onde ficamos nós?

Fonte: Marcos Carneiro
Jornal O Girassol em
http://www.ogirassol.com.br/aprender51/

Mais informações sobre o Tratado de Kioto:

Ministério da Ciência e Tecnologia BR - http://agenciact.mct.gov.br/index.php?action=/content/view&cod_objeto=17978

WWF - http://www.wwf.org.br/participe/minikioto_listapaises.htm

6 perguntas sobre o Tratado (em espanhol) - http://www.20minutos.es/noticia/5208/0/kioto/protocolo/emision/

Efeito Estufa - http://www.geocities.com/Augusta/7135/

Mudanças Climáticas - http://www.comciencia.br/reportagens/clima/clima11.htm

Imagens: www.escolavesper.com.br
www.radiobras.gov.br/

segunda-feira, novembro 14, 2005

Lembranças e Lembraduras de Bicas - parte 2


Tenho que escrever sobre Bicas outra vez. Tenho recebido muitos e-mails, desde que lancei no blog “Lembranças e lembraduras de Bicas”. Recebi um, com fotografias e tudo. Veio da parte da prima de uma colega que acompanhou comigo, o ginásio e o segundo grau. Foi fantástico ver as fotografias e saber que mais pessoas partilham comigo, as saudades de Bicas. Depois que escrevi aquele “post”, andei a revolver nos arquivos da minha memória, diversas situações que se passaram, em Bicas. Algumas caricatas, outras nem por isso, e que achei melhor deixar arquivadas… Em breve….

Fotografia: Vista aérea da cidade de Bicas, em 1995, mostrando o centro e o morro do cruzeiro (no meio), a região da exposição agropecuária (à direita) e a parte alta (à esquerda). Bicas encontra-se, como várias outras cidades da Zona da Mata de Minas Gerais, envolta pelo típico relevo local conhecido como "mar de morros". in http://pt.wikipedia.org/wiki/Bicas

quinta-feira, outubro 20, 2005

Preocupar, prá quê?

Recebi esta mensagem há alguns dias e achei que poderia melhorar o astral de muita gente:

Há apenas duas coisas com que se preocupar:
se estás bem,
ou se estás doente.
Se você está bem
nada há com que se preocupar...
Se estás doente,
há duas coisas com que se preocupar:
se você vai ficar bem,
ou se vai morrer.
Se ficares bem,
não há nada com que se preocupar.
Mas se você morrer,
há duas coisas com que preocupar:
Se você vai para o céu,
ou se você vai para o inferno.
Se você vai para o céu,
não há nada com que se preocupar.
E se você vai para o inferno,
estará tão ocupado cumprimentando os amigos
que nem terá tempo de se preocupar...
Então, porquê se preocupar ?
Realmente, não há com que se preocupar



Obs. : Esta imagem foi retirada do site www.maps-of-mexico.com .

sexta-feira, outubro 07, 2005

7 de Outubro



Tenho negligenciado um pouco este blog, mas em épocas de campanha para as autárquicas, tenho mesmo trabalhado a dobrar e com uma responsabilidade acrescida, já que o mínimo deslize poderia custar uma sanção tanto ao órgão de comunicação para o qual trabalho, e mais importante ainda, o meu, não muito bem pago, mas “meu” emprego.
Mas, como hoje, dia 7 de Outubro é aquele dia em que fico emocionada com qualquer telefonema ou e-mail que me enviam, não podia deixar de desabafar um pouquinho, né ?
Pois é, 43 Primaveras, Verões, Outonos, e Invernos, que aliás aqui são enormes... Este é o tal dia em que pensamos e remoemos no que é que andamos a fazer durante essas estações todas. Acho que tenho vivido todas de forma intensa, talvez não da melhor maneira, mas com muitos erros e acertos à mistura. Afinal é para isso que cá estamos, não é... para tentarmos melhorar alguns aspectos que à partida, não sabemos quais são. Como uma grande parte dos milhões de pessoas que habitam este planeta azul, tenho tido a minha quota de erros e acertos, mas, graças a Deus, tenho mais sorte que muita gente boa por aí, que hoje também pode estar a fazer aniversário, e muito provavelmente não têm amigos ou parentes que lhes enviem uma simples mensagem de parabéns. Gostaria de deixar os meus votos de Feliz Aniversário a estas pessoas que não têm quem lhes abrace ou festeje, ou mesmo se lembrem da sua data de nascimento.
Provavelmente, estão hoje a fazer aniversário, algumas crianças subnutridas de Africa, alguns prisioneiros de guerra, alguns índios sul-americanos, ou africanos, crianças que não tiveram e não têm carinho dos pais, crianças de rua, mendigos, enfim, pessoas que o mundo esqueceu, ou prefere ignorar, a estes e outros é que hoje, dia de Nossa Senhora do Rosário, elevo o meu pensamento e solidariedade.
Bem hajam

quinta-feira, setembro 01, 2005

Como o Roberto Leal


Já estou como o Roberto Leal, que sente-se português lá e brasileiro cá.
Quando chegamos aqui (de lá) ou cá (de cá) a confusão instala-se.
Termos e palavras portuguesas com sentidos completamente diferentes fazem com que brasileiros recém-chegados cometam gafes atrás de gafes. Nunca, em momento algum, diga que deu uma rata, que aqui é tremendamente pejorativo. Cometeu uma gafe, viu? GAFE !
Tou sim, ou está lá, são as habituais saudações, e com licença, as despedidas, quando se fala ao telefone. O celular passa a telemóvel e rapariga não é palavrão. Comprar carne no talho ou um martelo na drogaria ou linhas e agulhas na retrosaria, são alguns exemplos das subtis diferenças. Mas o melhor é que carregar é o mesmo que apertar, e autoclismo é o mesmo que descarga. Tem mais, muito mais. Não se despeja o lixo e sim, deita-se o lixo. Não se usa água sanitária, mas sim, lixívia. Uma lagartixa vira osga e uma patricinha é queque (Não confundir com que + ca – é palavrão e designa acto sexual).
Se é da hora, é fixe e se é fantástico, é bué d’a fixe. Se uma pessoa é legal, prá cima, aqui passa a ser porreira. E paneleiro não é aquele faz panela, mas é o gajo, ou cara, que senta na boneca. Cu não é palavrão e designa a parte traseira, a poupança, as nádegas, o bumbum dos portugueses e portuguesas, alias aqui, o comum não é cair sentado, mas sim, cair de cu. Injecção é pica. Já viram então como fica, levar uma injecção nas nádegas. É prá qualquer brasileiro ou brasileira, que não goste, é claro, sair correndo de uma sala de hospital ou enfermaria, ah, e quem tem muita energia, é porque tá cheio de pica. Pensando bem, até tem um bocado de lógica.
Aqui nada é planejado, tudo é planeado. Cueca é de mulher e homem usa camisola. Aliás, para dormir o que se usa é camisa. Antes de deitar, lavam-se os dentes na casa de banho. A privada vira pia,
e a pia passa a ser lavatório. Não se esqueça então, de carregar no autoclismo, ta a ver? Ah, aqui, em algumas regiões, dá-se banho e não toma-se banho.
Puto também não é palavrão, alias, puto é o mesmo que menino, mas o feminino continua a significar a mesma coisa tanto em terras lusas quanto em terras de Vera Cruz.
Ir ver uma partida de futebol é ir a Bola, se for a praia, vai a banhos, se for a padaria, vai ao pão. O mais giro, ou o mais bonito, é que engraçado é bonito. Não, não estou disléxica, é que se achamos que alguém tem uma beleza especial, então achamos a pessoa engraçada. Dá p’rá sentir a confusão? Uma pessoa engraçada para o brasileiro é uma pessoa cómica para o português.
São as diferenças que o oceano interpôs entre o português do país original e o português do nosso Brasil.


Você sabia que cerca de 6.800 línguas são faladas em todo o mundo? Se quiser saber quantas línguas existem no Brasil, é só ir ao site
http://www.aultimaarcadenoe.com/linguistico.htm

terça-feira, agosto 30, 2005

Há 500 anos atrás...em Castro Marim




Os dias medievais de Castro Marim...
Nos últimos 8 anos tenho ouvido e lido, muitas vezes, maravilhas sobre este evento peculiar, mas tudo o que eu pensava saber, foi por água abaixo, quando fui literalmente absorvida pela idade média, assim que pus os pés na vila.
Os cheiros, as vestimentas, o mercado... era o passado ali, presente, à minha frente, que culminava na forma de castelos e muralhas, e nas gentes que passeavam por ali, vestidas a rigor: pajens, damas, guerreiros, leprosos, bobos, enfim, tudo o que nós aprendemos nos livros e filmes, a transportar-nos para aquela época sombria, de torturas, honras e duelos.
E se não deixarmo-nos arrastar para o passado, os Dias Medievais em Castro Marim dá-nos a impressão de estarmos a participar, num filme épico, ou de fazermos parte de um reino encantado, saído de um livro de contos de fadas.
A experiência foi fantástica. Fui convidada para o banquete medieval no Castelo Pequeno, onde tudo foi pensado ao pormenor. A mesa, os artefatos, os acordes da gaita de foles da música celta, e os espectáculos, que durante duas horas, foram se alternando para gáudio dos convivas. Mouros encantadores de serpentes, dançarinos, monges, saltimbancos, mambembes, bobos, acrobatas, jograis, havia de tudo um pouco.
Também o repasto, foi diferente. As entradas, a sopa, o prato principal e os doces foram feitos à moda medieval. Todos muitíssimo saborosos.
No final do banquete, realizado no Castelo Pequeno, dentro das muralhas, e após um belíssimo espectáculo conduzido por arautos e bandeiras, o especáculo de música celta, esperava-nos nas liças do Castelo. Realmente fantástico.
A história deste concelho, um dos mais antigos do Algarve, perde-se nas brumas do tempo e remonta à época dos romanos, celtas e árabes, que a ocuparam, tendo construído fortalezas e castelos para defender a terra.
Segundo a publicação Fórum Empresarial, “o Castelo de Castro Marim, guardião da paisagem foi cenário de actos heróicos e trágicos. Erguido pela vontade um rei, as suas pedras mudas resistiram ao olhar do tempo e as paredes silenciosas ainda guardam o eco de batalhas sangrentas.
Classificado como monumento nacional, situa-se num ponto cimeiro da vila e todos os anos, no fim de Agosto, é palco dos Dias Medievais. Ao longo de quatro dias e noites, a vila mergulha no passado e revive a Idade Média, com emotivos torneios de cavalaria, princesas, nobres, cavaleiros, grandes banquetes e espectáculos teatrais e musicais alusivas à época.”
Eu estive lá!



Uma breve historia de Castro Marim, pode ser vista no site
http://castromarim.com.sapo.pt/bh.html

ou pode ainda ser consultada a pagina sobre a vila, no site do Jornal Região Sul, em
http://www.regiao-sul.pt/algarve/cmarim/

Neste site, encontram-se varias fotografias sobre Castro Marim,
http://www.portugal-book.com/algarve/castromarim/

Paisagens e localização, em português :
http://www.portugalvirtual.pt/_tourism/algarve/castro.marim/ptindex.html

ou em inglês:
http://www.portugalvirtual.pt/_tourism/algarve/castro.marim/

Sobre a heráldica,
http://www.fisicohomepage.hpg.ig.com.br/ctm.htm

Locais a visitar:
http://www.strawberryworld-algarve.com/guia-do-algarve/places/castro-marim.html

O mapa da cidade, restaurantes e outras informações:
http://viajar.clix.pt/pt/dst3265.php?mc=castromarim&mg=1&lg=pt

sexta-feira, agosto 26, 2005

Lembranças e Lembraduras de Bicas


Que saudades de Bicas

Há dias, em que a nostalgia bate fundo e nesses dias, vou à procura de notícias da “terrinha”. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir a coluna do Zé Arnaldo, em
http://www.zearnaldo.com . Tá lá tudinho!
A maior festa de Bicas, a Exposição Agro-pecuária, aquela época do ano que, onde quer que eu estivesse, em qualquer ponto do Brasil, saía a correr prá não perder pitada. A minha vó Nair, até dizia, que o prefeito deveria me oferecer as chaves do Parque de Exposições, já que eu o abria e fechava.
Lá, apreciava as peripécias equestres do Taizinho e do Mano, bebia umas cervejinhas na barraca do Miltinho e do Paêra, cantava “Pinga ni mim”, com o Carlos da Casson, ou a “Arapuca”, naquelas serestas improvisadas no barzinho dos Salles, ou na barraca da Real Biquense, onde o tio Rogerinho também dava uma ajuda. E aquele angu à baiana, chega a dar água na boca, mesmo depois de tantos anos...
Tenho saudades dos meus amigos de infâncias e de juventude: a Rosilene, as Heloísas, a Cláudia, a Carla Clemente, a Eliane Schettini, a Cristiane e a Jacqueline, a Adriana, filha do Waltecir, a Rita, a Cristina Santos, a Selvinha, a Kátia, a Odisseia, o Cosminho e o Marquinhos, a Cristina e a Glorinha, o Betinho, o Magela, o Xisto, o Merquinho, e muitos outros. Tanta gente que eu perdi o contacto, depois destes 14 anos de Europa. Tenho saudades do fusquinha marado e cheio de buracos do Miltinho, saudades de andar de moto com o Badá, dos discos da Elis, que o Ruizinho era fã. Tenho saudades da convivência e da vizinhança, do Dr. Ronaldo Della Garza. Saudades do Padre Eupídeo, da Zezé do Hospital, do coral do “Seu” Vicente Rossi, Saudades da Tia Nicinha, do Renato, do Rogério e da Regina, e de ir ao Sítio do Tio Zaninho, saudades da minha madrinha Elisa, cantando “Pega a esteira e seu chapéu, vamos para o sítio do Ti’Zanin”, da Dinha, e da dindinha Wilma, Saudades da prima Vera Lúcia, e da Tia Maria José, e seus doces e licores, tão gostosos, como nunca mais provei, em nenhum país que visitei, do ‘Primão’ Toninho, de Pequeri. Saudades do tio Rogerinho, da tia Marly, da ‘Vó’ Carmélia, das primas Ivana, Heloísa e Roseli, da prima Nely e da Leila, da prima Zélia e do Amílcar, do Saulo e da Zelinha, do tio Heitor, do Célio e do Nélio, saudades dos bailes em São João Nepomuceno. Saudades do Bairro Santana, e do apito da Maria Fumaça, e até da Gogóia, que morava em frente da casa da vó Nair. Saudades do cheiro da relva cortada pelo Dóia, de beber água na fonte, em Guarará, de passear no jardim, aos Domingos depois da missa, de buscar pão quentinho da padaria do Chiquinho, ou comer uma deliciosa coxinha de galinha no Pedro Machado, e aquele leite fresquinho da Cooperativa, e até da manteiga Girafa; oh, manteiguinha boa, uai!
Saudades do Dirceu, que fazia cara de mau aos alunos, mas era, como se diz aqui em Portugal, “bué d’a fixe”, da D. Helaine Godinho, minha primeira professora, e se for ainda mais longe, tenho saudades até da D. Tueta e da D. Cândida, quando eu estudava no Liceu, da outra Dona Helaine, e da Marta e da Marly. Aliás eu achava fascinante o marido da Dona Helaine (não me lembro do primeiro nome, mas sei que o sobrenome era Adib), ter participado de uma Guerra Mundial.
Saudade do meu avô Rogério, o Português como era conhecido, saudades da minha juventude, quando a minha maior preocupação era qual a roupa que iria usar no próximo baile do Biquense, saudades de andar num ônibus da Santos, saudades de ir de bicicleta com a turma, fazer piquenique no Morro do Pirulito, ouvindo os Renaissance, saudades dos pombos do Paulo César. Saudade de Grapette, sei que é uma coisa tonta, mas que saudades que eu tenho do Grapette!
Saudades do cheirinho da terra molhada depois da chuva, aquele cheirinho que só Bicas é que tem.
Foram tantas as pessoas que passaram pela minha vida, em Bicas (muitas até já partiram para um outro plano), que quando bate essa saudade que chega a doer, dá vontade de me fechar dentro da concha do passado, e reviver cada momento, cada instante daqueles que ficam gravados, como uma película, um filme épico, que nós assistimos repetidas vezes ao longo da vida, mas sabemos que foram feitos há muitos anos atrás, e por mais remakes que façam, nunca será melhor que a versão original.
Tantos sentimentos controversos e a memória das coisas boas, encerrados numa única palavra: Saudade! Infeliz daquele que não sabe o que é ter saudades de qualquer coisa. É sinal de uma vida vazia. É por isso que eu digo de boca cheia: que saudades!!!

Sites sobre Bicas:

Bicas no mapa:
http://www.aondefica.com/brasil_r_mg.asp


História da Estação Ferroviária de Bicas - MG

http://www.estacoesferroviarias.com.br/efl_mg_tresrios_caratinga/bicas.htm

Página
sobre Bicas, criada por Fernanda Maria de Souza Henriques

http://usuarios.uninet.com.br/~fh/bicas.htm

Site da Prefeitura Municipal de Bicas: http://www.powerline.com.br/~admbicas/

Banco do Brasil
https://www15.bb.com.br/site/fz/mapa/estadoInter.jsp?UF=MG

quinta-feira, agosto 25, 2005

Sudoku - um vício ?



Nova onda de loucura está a invadir a Europa. Será um vírus, um vício, nã, nã, é apenas um jogo de lógica com um nome esquisito: o Sudoku.
Eu confesso: estou profundamente viciada. Já não consigo dormir sem antes resolver pelo menos um puzzle desses.
Embora inventado nos Estados Unidos, o Sudoku tomou o mundo de assalto depois que os japoneses resolveram adotá-lo, tal como fizeram com os tamagoshis e nintendos.
Segundo uma reportagem feita pelo Daily Telegraph, por Tom Utley, "Nenhum leitor ainda não contagiado deve sequer passar os olhos por um sudoku. É que no sudoku, escondem-se o vício e a loucura. Os sudokus são para os primeiros anos do século XXI, o que o cubo de Rubik foi para os anos 70: uma obssessão que nos apaixona a todos."
Parece que na Coréia, um homem morreu a jogar Sudoku. Esqueceu-se de comer, dormir, etc...
Os japoneses, verdadeiros fanáticos de quebra-cabeças numéricos e sempre ansiosos por tudo o que prometa desenvolver o seu QI. Segundo a apresentaçao do livro Sudoku, de Michael Mepham, actualmente milhões de pessoas fazem sudokus, publicados em jornais, revistas e livros, em todas as línguas do mundo inteiro.
Eu repito: estou completamente viciada na porcaria do Sudoku. Será que já há centros de recuperação para a cura deste terrível vício?...

segunda-feira, agosto 22, 2005

Noite de Fadas e Duendes com Paco de Lucia


Noite espectacular a de sábado. Eu estava super eufórica para ir, mesmo em trabalho, assistir Paco de Lucia, em Castro Marim. Paco de Lucia, o mestre do flamenco, o supra sumo da guitarra, levou ao estádio municipal de Castro Marim, mais de 4 mil pessoas que em silêncio, ficaram a ouvir, quase em êxtase, a performance daquele que é reconhecido em todo o mundo com um dos melhores compositores e guitarristas.
Amado pelos grandes da música brasileira e amante da bossa nova, Paco de Lucia, tem para mim um significado especial. Os acordes que tira de uma simples guitarra, parecem quase impossíveis.
E nesta noite memorável, onde só os mosquitos incomodaram o mestre: “Los mosquitos estan me comiendo…”, a lua cheia parece que acordou e apareceu dourada e nua, por cima do castelo iluminado de Castro Marim. Milhares de flashes tentaram captar o momento único e mágico.
O mais estranho foi a falta de elfos e ninfas a flutuar frente ao palco, tal a misticidade que envolveu aquele sábado.
O complicado mesmo é encontrar um telefone em Castro Marim. É que talvez os preparativos para as noites medievais do próximo fim de semana, tenha feito com que a vila entrasse numa espécie de máquina do tempo. Bem tentei telefonar, mas não havia nem telefone, nem cabine, nem cartão, e sinais de fumo a partir de Castro Marim, muito provavelmente não seriam vistos no Brasil. Mas não me esqueci de ti, Patrícia. Que esta data se repita ainda por muitos e muitos anos. Feliz Aniversário da prima que te ama muito, tá?
Ah, quanto a senhora Simone, não merece uma só linha, nem mesmo uma palav…

domingo, agosto 14, 2005

Festival do Marisco


Nesta ediçao do Festival do Marisco de Olhão, tenho tido uma posição privilegiada ao entrevistar todos os artistas que por lá têm passado. Já conversei com o Zé Pedro, Calu e Tim, dos Xutos, com o tímido João Pedro Pais, com o eléctrico Saulo Fernandes, da Banda Eva, e ontem foi a vez, do Domingos e da Nicole (até agora, o melhor espectaculo do Festival), e com o Bittencourt, dos Toranja. Hoje Luisa Mira e a minha conterrânea, Simone, serão as minhas próximas vítimas. Mas, e este mas, é aquele mas bem alongado, temo ficar nervosa quando conversar com a Simone. Sacumé, Simone é Simone, né?
Fechada num cubículo com o Zé Pedro, ou com o João Pedro Pais, ou mesmo o Saulo, não tremi, não gaguejei, tudo nos "conforme". Agora hoje, eu já estou tremendo pelas bases. A Simone está acostumada a ser entrevistada pelas Marias Gabrielas e pelos Jôs Soares da vida. E eu, tô me sentindo pequenininha. Uma brasileira, sem eira nem beira, fazer uma entrevista destas. Um grande privilégio e por isso mesmo, o nervoso miudinho tá querendo se instalar por aqui. 'Vamo vê o quê qui sai!'

sexta-feira, agosto 05, 2005

Bossa Nova em plena baixa de Faro

Na noite de ontem o espectáculo "Tributo a Tom Jobim", considerado um dos maiores músicos do século XX, encheu a baixa de Faro, com os acordes da bossa-nova.
O must da musica brasileira e a voz maviosa de Jandira levaram uma pequena multidão ao jardim.. "Eu sei que vou te amar", "Samba de uma nota só", "Desafinado" e "Insensatez" foram alguns dos diversos temas deste tributo àquele que é considerado, um dos melhores compositores do século XX. O ponto alto, o tema Garota de Ipanema, que a incentivo do grupo, foi acompanhado pelo publico presente. Esta foi a tal parte da emoçao, lágrimas e pele arrepiada.
Valeu! Afinal, os desafinados sempre têm um coração...


Desafinado

Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça (1958)
Quando eu vou cantar você não deixa
E sempre vem a mesma queixa
Diz que eu desafino, que eu não sei cantar
Você é tão bonita
Mas toda beleza
Também pode se acabar
Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu
Se você insiste em classificar
Meu comportamento de antimusical
Eu, mesmo mentindo devo argumentar
Que isto é bossa nova
Que isto é muito natural
O que você não sabe, nem sequer pressente
É que os desafinados também têm um coração
Fotografei você na minha Rolleiflex
Revelou-se a sua enorme ingratidão
Só não poderá falar assim do meu amor
Este é o maior que você pode encontrar, viu
Você com a sua música esqueceu o principal
Que no peito dos desafinados
No fundo do peito bate calado
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração

Site oficial de Tom Jobim
http://www2.uol.com.br/tomjobim/index_flash.htm

quinta-feira, agosto 04, 2005

Saudades da Terrinha


Há dias em que a nostalgia bate forte que nem tambor da Fanfarra dos Bombeiros, no dia 25 de Abril.
Em dias assim, o melhor é encarar as "lembraduras", sem choradeiras de baba e ranho, e gastar mais do que se pode, num telefonema, mesmo que dure segundos, só para ouvir uma voz familiar. Se depois disso o estado de espírito piorar, é melhor encontrar alguém para conversar, de preferência, banalidades, ou então encarar um papo mais sério, tipo crise no PT e se o Lula entrou ou não de gaiato, ou comentar as autárquicas de Outubro, em Portugal, ou a subida do IVA, a falta dágua, os fogos, etc etc etc...
Tudo o que puder, mas nunca, nunca mesmo beber uns copos a mais, com aquela treta que se beber, esquece. E nunca, nunca mesmo, vá a um Karaoke pagar micos gigantescos. Wrong!!! No dia seguinte, além das saudades dilacerantes e uma bela dor de cabeça, aquela ressaca ressaquíssima só piora o pior: o mico do dia anterior. Portanto, se tiver saudades, o melhor é não encharcar.